- Algodão
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Algodão é uma fibra natural que cresce ao redor das sementes do algodoeiro, uma planta do gênero Gossypium. Ele é amplamente utilizado na indústria têxtil para a produção de tecidos, roupas e outros produtos. O algodão é valorizado por sua maciez, respirabilidade e durabilidade, tornando-se um dos materiais mais populares para vestuário e têxteis domésticos em todo o mundo. O nome vem de "al-quTum" do árabe.
- Cotonicultura
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Atividade agrícola dedicada ao cultivo do algodão, principal matéria-prima da indústria têxtil.
- HVI
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O High Volume Instrument (HVI) é um sistema automatizado de testes instrumentais desenvolvido para analisar as características físicas e intrínsecas do algodão. É uma ferramenta de grande importância para a indústria têxtil, pois permite avaliar, de forma rápida e precisa, propriedades fundamentais da fibra.
Para a realização dos testes, é necessário que a amostra de algodão seja previamente aclimatada a uma temperatura de 21 °C e a uma umidade relativa de 65%. Essa condição padroniza os resultados dos ensaios e evita que variações na umidade influenciem propriedades como a resistência e o comprimento das fibras de algodão.
O HVI mede propriedades relevantes para a indústria por meio de sistemas eletrônicos de alta precisão e com rigor científico. Durante o teste, uma massa de algodão é inserida em uma câmara pneumática, onde as fibras são alinhadas para a realização de leituras ópticas a laser e de ensaios de tração mecânica. Além disso, as fibras são pressionadas contra uma janela de vidro iluminada, permitindo sua análise por meio de câmeras digitais.
Esse teste permite analisar diversas características do algodão, como:
- Micronaire (MIC)
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O Micronaire é uma medida que representa a combinação entre a finura e a maturidade da fibra de algodão. Essa característica é determinada pela resistência ao fluxo de ar através de uma amostra de algodão comprimida. No teste HVI, a medição é realizada por meio de uma câmara pneumática, que avalia a permeabilidade do ar através da massa de fibras.
O Micronaire é um fator importante para determinar a qualidade da fibra e sua facilidade de processamento, especialmente durante a fiação. Seus valores permitem avaliar o equilíbrio entre finura e maturidade das fibras.
De forma geral, a interpretação dos valores pode ser apresentada da seguinte maneira:
Ruim < 3,4 < Médio < 3,6 < Bom < 4,3 < Médio < 5,0 < Ruim
- Valor baixo: Fibras muito finas e/ou imaturas que podem aumentar a ocorrência de neps e dificultar a fiação
- Valor adequado: Equilíbrio satisfatório entre finura e maturidade, proporcionando melhores condições para o processo de fiação
- Valor alto: Fibras mais grossas e/ou maduras que podem dificultar a produção de fios mais finos
A classificação do Micronaire deve considerar os padrões específicos aplicáveis a cada tipo de finalidade industrial. Escolhas inadequadas podem comprometer a qualidade do processo de fiação, ocasionando problemas de resistência e uniformidade dos fios, além de afetar a tingibilidade destes fios e tecidos. Esses impactos podem gerar ineficiências na fiação e comprometer a qualidade dos produtos finais, refletindo-se em características como aparência, uniformidade e resistência de tecidos e malhas.
- Resistência ( RES / STR )
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Resistência da fibra é relacionado com a força necessária para quebrar a fibra de algodão. Fibras mais fortes produzem fios mais duráveis e robustos, melhorando a qualidade dos tecidos fabricados. Com isso, essa característica é fundamental no processo de produção de fios e tecidos.
Sua medida é dada em gramas por tex (g/tex), da qual tex é uma unidade de finura da fibra. Uma relação da resistência do algodão é dada abaixo:
Fraco < 23 < Intermediário < 25 < Médio < 29 < Forte < 31 < Muito Forte
- Alongamento ( ELG )
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É a medida de quanto a fibra do algodão se alonga antes de se romper. Ela é dada pela porcentagem que a fibra de algodão pode se alongar alám do seu cumprimento inicial.
MuitoBaixa<= 5,0 < Baixa <= 5,8 < Média <= 6,8 < Alta <= 7,6 <MuitoAlta - Comprimento (LEN / ML)
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É a medida do comprimento médio das fibras. Esse comprimento determina o sistema de fiação a ser usado (anel, rotor, jato de ar, outros). Variações excessivas no comprimento e um grande número de fibras curtas pode gerar desperdícios e perdas na qualidade com fios com baixa resistência e com pilosidade, gerando tecidos com menor brilho e pior toque.
Geralmente se considera os valores de referência:
Curta < 15mm < Média < 29mm < Longa < 32mm < Muito Longa
A tabela abaixo tem os valores e unidades geralmente utilizados para a medida de comprimento.
Tabela de Medidas de Comprimento AlgodãoComprimento em trinta e dois avos(de polegadas)Comprimento em unidades dos E.U.A. Comprimento (polegadas) Comprimento (mm) 26 13/16" 0,80 - 0,85 20,64 28 7/8" 0,86 - 0,89 22,23 29 29/32" 0,90 - 0,92 23,02 30 15/16" 0,93 - 0,95 23,81 31 31/32" 0,96 - 0,98 24,61 32 1" 0,99 - 1,01 25,40 33 1.1/32" 1,02 - 1,04 26,24 34 1.1/16" 1,05 - 1,07 26,99 35 1.3/32" 1,08 - 1,10 27,78 36 1.1/8" 1,11 - 1,13 28,58 37 1.5/32" 1,14 - 1,17 29,37 38 1.3/16" 1,18 - 1,20 30,16 39 1.7/32" 10,21 - 1,23 30,96 40 1.1/4" 1,24 - 1,26 31,75 41 1.9/32" 1,27 - 1,29 32,54 42 1.5/16" 1,30 - 1,32 33,34 42 1.5/16" 1,30 - 1,32 33,34 43 1.11/32" 1,33 - 1,35 34,13 - UHML (UHM)
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Upper Half Mean Lenght mede o comprimento médio da metade mais longa das fibras de algodão. Sua unidade geralmente é a polegada, equivalente a 2,54 cm.
Curta < 0,99 < Média < 1,11 < Longa < 1,26 < Muito Longa
- Uniformidade (UNF / UI)
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Índice de uniformidade mede a consistência das fibras em uma amostra de algodão. Uma alta uniformidade indica que as fibras tem comprimentos semelhantes que facilitam o processamento do algodão e propiciam uma melhor qualidade nos fios e tecidos.
Sua medida é dada pela relação do UHML e da média dos comprimntos (ML). Ele é dado na forma de porcentagem, seu limite máximo é 100% do qual todas as fibras tem o mesmo comprimento.
Uniformidade = ML / UHML
Seus valores de referência são geralmente:
MuitoBaixa< 77% < Baixa < 80% < Média < 82% < Alta < 85% <MuitoAlta - SFI (SFC)
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Short Fiber Index é o índice de fibras curtas no algodão. É dado pela porcentagem de fibras menores que 0,5 polegadas (ou 12,7 mm).
As medidas do SFI são geralmente:
Execelente < 6% < Ótimo < 8% < Aceitável < 10% < Ruim
O SFC pode ser expresso em números (N) ou em peso (W).
- Leaf (Trash Grade / TR ID)
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É conhecido como o grau de folha no algoão. Ele indica o nível de folheamento e sujeira no algodão em pluma. Seu cálculo é feito em uma câmera que mede a porcentagem de área coberta por particulas exôgenas e pela contagem de cascas e folhas no algodão.
Sua numeração indica a incidência de particulas externas à fibra do algodão e pode ir de 1 (baixo nível) até 7 (alto nível), sendo 8 indicando valores muito acima dos padrões de folhas e materias estranhas na pluma do algodão.
Altos íncedices podem gerar problemas na eficiência da fiação, problemas nos tecidos que serão gerados com os fios desse algodão, e também problemas para tingir esses tecidos e fios.
- Trash Count (COUNT / CNT / TR CNT)
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Indica o número absoluto de possiveis incidências de impurezas no algodão (folhas e materiais estranhos).
- Trash Area (AREA / TR AREA)
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Percentual da área ocupada pelas impurezas no algodão, como folhas e matériais estranhos a pluma de algodão.
Tabela de Leaf Grade com Trash AreaLeaf Grade Trash Area 1 <= 0,13% 2 <= 0,20% 3 <= 0,34% 4 <= 0,51% 5 <= 0,72% 6 <= 1,00% 7 <= 1,20% 8 > 1,20% - Maturidade ( MAT / MR )
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É o índice de maturidade que mede o quanto a fibra do algodão está desenvolvida. Esta relacionada a espessura das paredes celulares das fibras. Fibras com baixa maturidade rompem-se com facilidade. Níveis inadequados de maturidade podem gerar irregularidades nos fios, fazendo com que absorvam excesso de corantes, o que pode resultar em tecidos com manchas ou com aspectos de desbotado.
As medidas de maturidade são geralmente:
MuitoImaturo< 0,7 < Imaturo < 0,8 < Maduro < 1,0 <MuitoMaduro - CSP
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O CSP (Count Strength Produc - Índice de Fiabilidade ou Contagem de Força do Produto) é a análise que mede a resitência e o desempenho esperado em um processo industrial de um fio de algodão. Um maior CSP indica uma fibra com maior capacidade para suportar um processo de fabricação. Esse fio possuirá uma maior resistência à tração e uma maior qualidade para suportar as tensões durante a tecelagem ou a malharia.
O CSP é calculado pela multiplicação do título do fio (Ne) pela resistência à tração em libras (teste de resistência do fio). O Ne é um número de meadas (840 jardas) necessárias para pesar uma libra de fio. Um valor de Ne mais alto indica um fio mais fino, enquanto um valor mais baixo representa um fio mais grosso. O teste de resistência do fio é um método para medir a resistência de um fio fiado, do qual um fio contendo aproximadamente 111 metros é testado até se romper, sendo a carga de ruptura registrada em libras.
Um valor de CSP mais alto indica um fio mais resistente e reflete um melhor desempenho de fiação e maior qualidade das matérias-primas. As medidas de CSP são geralmente:
Ruim < 1800 < Média < 2200 < Boa < 2500 < Ótima - L / Rd
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O grau de reflectância mede o quão o algodão é brilhante ou opaco.
O algodão pode ser categorizado em 7 categorias:
- GM : Good Middling (médio bom)
- SM : Strict Middling (estritamente médio)
- M : Middling (médio)
- SLM : Strict Low (estritamente baixo)
- LM : Low Middling (médio baixo)
- SGO : Strict Good Ordinary (Estritamente ordinário bom)
- GO : Good Ordinary (ordinário bom)
- b+ ( Fb )
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Grau de amarelamento mede o grau de brancura do algodão.
Pode ser dividido em 5 níveis:
- White : Branco
- Light Spotted : Pouco Manchado
- Spotted : Manchado
- Tinged : Tingido
- Yellow Stained : Amarelado
- Gráfico de amarelamento e reflectância
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Este gráfico foi criado por Nickerson e Hunter (Nickerson-Hunter) no início dos anos de 1940. Ele possibilita a categorização do algodão em tipos com relação ao grau de cor, que é obtido pela relação aos graus de reflectância (Rd) e de amarelamento (+b). O Rd e o +b são medidos por um colorímetro de dois filtros.
Grafico de Cores - Nickerson Hunter Utilizando o gráfico de Nickerson-Hunter podemos determinar o quadrante em que o algodão pode se situar e determinar o seu grau de cor (Colour Grade).
- Color Grade ( CG / C Grd / C Grade )
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O Color Grade combina os índices de reflectância (Rd) e amarelamento (+b) para se classificar o algodão. Esse sistema ajuda na padronização das avaliações dos atributos do algodão facilitando sua valoração no mercado e o seu direcionamento na indústria têxtil.
A tabela abaixo representa os possíveis Color Grades de um algodão:
Tabela de Color GradeDescrição White Light Spotted Spotted Tinged Yellow Stained Good Midding(GM)11 12 13 - - Strict Middling(SM)21 22 23 24 25 Middling(M)31 32 33 34 35 Strict Low Middling(SLM)41 42 43 44 - Low Middling(LM)51 52 53 54 - Strict Good Ordinary(SGO)61 62 63 - - Good Ordinary(GO)71 - - - - Below Grade(BG)81 82 83 84 85 - SCI
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Spinning Consistency Index (Índice de Consistência de Fiação) é um cálculo de regressão linear de características do algodão que possibilita mensurar a qualidade da fibra de algodão. Ele mede a consistência de fiação da fibra, quanto maior ele for, maior será a qualidade da fibra para a fiação.
Seu calculo é dado pela regressão linear abaixo:
SCI = - 414,67 + 2,9 RES - 9,32 MIC + 49,17 UHML + 4,74 UI + 0,65 Rd + 0,36 (+b) - Contaminante
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Contaminantes são quaisquer materiais estranhos à fibra do algodão, diferenciando-se da fibra pura e dos resíduos naturais do cultivo. São elementos indroduzidos de forma acidental as fibras do algodão.
Eles são geralmente classificados em dois níveis de intensidade, o nível 1 indica baixa e média incidência, nível 2 indicando grande incidência.
Tabela de ContaminantesNúmero Contaminante Código 01 Caule Nível 1Bark Level 1Bark1 02 Caule Nível 2Bark Level 2Bark2 03 Capim Nível 1Grass Level 1Gras1 04 Capim Nível 2Grass Level 2Gras2 05 Picão Nível 1Prick Level 1Pric1 06 Picão Nível 2Prick Level 2Pric2 07 Capim e Picão Nível 1Grass and Prick Level 1GrPr1 08 Capim e Picão Nível 2Grass and Prick Level 2GrPr2 09 Caule e Picão Nível 1Bark Prick Level 1BaPr1 10 Caule e Picão Nível 2Bark Prick Level 2BaPr2 11 Caule e Capim Nível 1Bark Grass Level 1BaGr1 12 Caule e Capim Nível 2Bark Grass Level 2BaGr2 13 Casca de CaroçoSeed Coat Fragments Level 1SCF1 14 Casca de CaroçoSeed Coat Fragments Level 2SCF2 15 Caroço de algodãoSeed Cotton Level 1SECA1 16 Caroço de algodãoSeed Cotton Level 2SECA2 17 Óleo Nível 1Oil Level 1Oil1 18 Óleo Nível 2Oil Level 2Oil2 19 Algodão com duas carasCotton two facesDC 20 Outras matérias nível 1Other Level 1Othe1 21 Outras matérias nível 2Other Level 2Othe2 22 Abaixo PadrãoBellow StandardABP 23 Encarneirado EM 24 Algodão Principio de FermentaçãoP Fermented Level 1PFes1 25 Algodão fermentadoFermented Level 2Ferm2 Tipos de contaminantes específicos:
- Casca de Caroço (Seed Coat): Toda pluma de algodão possui cascas de caroço, que são pedaços da semente do algodão que não se reverteram totalmente em pluma de algodão. O processo de beneficiamento do algodão é responsavel por separar a pluma dessas cascas de caroços. Quando sua incidência é muito alta, se considera que o algodão esta com o contaminante de casca da semente do algodão. Sua incidência pode ser gerada por variedades de plantas de algodão que possuem sementes pequenas, com cascas finas e frágeis que acabam quebrando e ficam presas às fibras de algodão.
- Algodão com duas caras (Cotton Two Faces): É quando um fardo apresenta uma grande variação nas propriedades de qualidade em sua extensão. Como um fardo com fibras de alta qualidade na parte superior e fibras de baixa qualidade na parte inferior, isso dificulta a padronização da matéria-prima para a fabricação de produtos têxtil.
- Encarneirado: Algodão com pequenas massas de fibras retorcidas entre si e com aparência de pequenos cordões. É um termo técnico utilizado na classificação do algodão em pluma para descrever massas de fibras retorcidas entre si que aparentam ser um pequeno cordão. Essas fibras tem um aspecto irregular, frisado, encrespado ou empelotado, que se assemelha à lã ondulada de um carneiro.
- Fermentação (Fermented): O algodão quando submetido a certa humidade e nível de calor pode vir a ativar certos microrganismos, como bactérias e fungos, que levam a decomposição do material orgânico da fibra. O algodão perde o aspecto branco, podendo ter tons amarelados e cinzentos.
- Plástico: Esse contaminante pode gerar um deságio de até 4.000 pontos na negociação para exportações.
- Caule (Bark): É uma contaminação geralmente gerada no processo de colheita. Quando a máquina de colheita raspar o caule do algodoeiro levando as fibras de algodão a conterem elementos do caule da planta.
- Caramelização/Pegajosidade no algodão
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A caramelização no algodão é originada principalmente por açúcares gerados por pragas como a mosca branca, pulgão, cochonilha e outros insetos. Mas também pode ser gerada em menor escala pelo esmagamento de sementes que geram o óleo do algodão, a utilização de certos produtos químicos na lavoura e o uso de alguns lubrificantes nas máquinas.
Para se evitar a caramelização é necessário o controle de pragas, realizar a colheita quando o algodão estiver maduro, utilizar variedades resistentes e uma adubação adequada.
A temperatura e a humidade elevada no processo têxtil pode acentuar os prejuízos causados pela pegajosidade no algodão, por isso o controle da humidade e da temperatura na fiação é considerado uma parte muito importante nas indústrias têxteis.
A caramelização deixa a fibra do algodão pegajosa e prejudica a qualidade da fibra do algodão. Ela pode gerar grandes prejuízos a fiação, tecelagem e até no acabamento de tecidos. Dentre os problemas estão:
- Emaranhados de fibras
- Enrolamento de material fibroso nos cilindros das máquinas
- Rupturas
- Perdas de desempenho de equipamentos
Esses fatores podem gerar fios de pior qualidade, e em situações mais graves pode gerar parada de máquinas e necessidades de limpeza das máquinas para retirada do excesso de açúcares na linha de produção.
Existe vários métodos para identificação da pegajosidade no algodão, mas nenhum deles é considerado 100% confiável, e muitos não se correlacionam. O nome técnico do teste é Teste ou Análise de Pegajosidade em Fibras de Algodão. Entre eles estão os termomecânicos (SCT, H2SD e CONTESTS) que no Brasil podem ser realizados na Agopa, Unicotton e SENAI CETIQT. Existem outros métodos como a estufa e a pulverização nas amostras com um spray que identificam o nível de açúcar do algodão.
- Take-Up
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O Take-Up é uma inspeção final da qualidade do algodão antes do seu embarque para a indústria realizada por um classificador. Ela é geralmente realizada pelo comprador. Nela se realiza a inspeção física dos fardos do algodão para verificar características intrínsecas e extrínsecas como a cor, comprimento da fibra, presença de impurezas, dentre outras características. Essa prática não é realizada por todas as indústrias ultimamente, que geralmente analisam o algodão apenas pelo teste de HVI.
- Barramento
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Defeito no fio pela variação na espessura e na uniformidade da torção ao longo do comprimento do fio. Este problema gera problemas na qualidade do tecido e irregularidades nas malhas. A qualidade do algodão, como a presença de sacarose, pode influenciar o acontecimento de barramentos.
O barramento geralmente só é notado após o tecido ou malha ser tingida e acabado. Ele pode gerar retrabalho, gastos desnecessários, perdas de qualidade e insatisfação de clientes finais.
- Fardão
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É um grande pacote de algodão colhido e compactado diretamente pelas colheitadeiras no campo. Geralmente tem o diâmetro de noventa a noventa e quatro polegadas, e peso médio de 2.300 kg.
Fardão de algodão - Beneficiamento
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Processo industrial realizado em usinas de processamento do algodão colhido visando separar a fibra (pluma) das sementes (caroço) e impurezas do algodão. Este transforma o algodão bruto colhido no campo (fardões) em fardos de algodão padronizados e pronto para serem enviados a indústria têxtil.
- Fardo
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É uma unidade prodtutiva após o beneficiamento do algodão e antes da sua utilização na indústria têxtil. Ele possui geralmente 200 a 240 kg, com 1,37 m de altura, 50 cm de largura e 90 cm de comprimento. Ele foi estabelecido tecnicamente pela Abrapa no comunicado técnico Nº3/2025.
Fardo de algodão - Caroço de Algodão
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É um subproduto da produção do algodão após a retirada da pluma do algodão nas algodoeiras. Ele pode ser encontrado em sua forma bruta composta de linter, casca e amêndoa.
Ele pode ser utilizado para:
- Alimentação de animais ruminantes (alta quantidade de proteínas e fibras digestíveis)
- Produtos de enfermagem
- Óleo refinado comestível
- Produção de biodisel
- Margarina
- Produção de celulose
Caroço de algodão - Linter
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É um subproduto da planta do algodão. Ele possui as fibras bem curtas, das quais ficam grudadas no caroço do algodão após a retirada das fibras mais longas.
Ele é utilizado na fabricação de:
- Papel moeda
- Algodão de farmácia
- Gaze
- Tecidos cirúrgicos
Linter de algodão - Torta de algodão
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Subproduto da extração do óleo da semente de algodão. Ela é muito rica em proteínas, energia e fibras. Por isso é amplamente utilizada na alimentação de ruminantes (gado de corte e de leite) e também como adubo orgânico.
Torta de algodão - Fibrilha
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Fibrilha é o subprotudo do beneficiamento da pluma do algodão, como a limpeza da pluma do algodão. Ele pode ser considerado principalmente de fibras curtas, sendo composto de 90% de celulose. Os outros elementos nela contidos são:
- Água
- Proteínas
- Pectinas
- Ceras
- Minerais
Ele é utilizado para fazer fios mais rústicos e usado para:
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Fios grossos para:
- Capa de fardo de algodão
- Panos de prato
- Pano de chão
- Tapetes
- Tecidos mais rústicos
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Enchimentos como:
- Isolamentos acústicos
- Isolamentos térmicos
- Enchimento de bancos automotivos
- Acolchoados (pelúcias)
- Travesseiros
- Estofados
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Itens de higiene:
- Absorventes
- Hastes flexíveis
- Algodão hidrófilo
- Panos de limpeza
- Maçãs do algodão
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As maçãs do algodão são os frutos do algodoeiro. Elas se formam após a fecundação das flores do algodoeiro e é o local do qual se abriga as sementes e as fibras do algodão.
Maçã do algodão - Capulho
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É a situação quando a maçã do algodoerio se desidrata e deixa as fibras do algodão a mostra.
Capulho de algodão - Soqueira
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Soqueiras são os restos da planta de algodão após a colheita da fibra. Estes restos podem ser compostos por:
- Bases da planta
- Raízes
- Ramos
- Restos de capulhos
- Bicudo
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O bicudo é um besouro que tem de 4 a 9 mm de comprimento e vida média de 20 a 30 dias. Ele é considerado a principal praga do algodoeiro, caso não for tratado, pode causar perdas entre 70% a 100% na produtividade do algodoeiro.
Ele é de origem mexicana e causou a devastação das plantações de algodão no Brasil na década de 80, que fez do Brasil um país exportado de algodão a se tornar um país importador na década de 90. Com o controle do bicudo no Brasil, o país mudou as localizações da conicultura nacional, que deixou de ser no sudeste e nordeste, e passou a se conscentrar no centro-oeste e oeste bahiano.
Sua fêmea adulta pode colocar dentre 100 a 300 ovos por geração. Esses ovos são colocados nas estruturas de reprodução do algodão, se alimentando delas ao se desenvolverem, diminuindo assim a quantidade e a qualidade da produção de algodão.
É realizado o MIP (Manejo Integrado de Pragas) para o seu controle. Dentre as estratégias usadas, estão:
- Vazio sanitário
- Controle biológico
- Controle químico
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Monitoramento constante da população por:
- Armadilhas
- Inspeções visuais
- Variantes resistentes ao bicudo
- Rotação de culturas
- Destruição de restos culturais
- Vazio sanitário
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O vazio sanitário do algodão é uma estratégia de controle de pragas no cultivo do algodão, principalmente o bicudo. Ela consiste em manter um período de 60 a 90 dias em que é proibido manter plantas vivas da cultura no campo, e a eliminação de todos os restos culturais e soqueiras aproximadamente após 15 dias da colheita.
Ela é uma medida fitossanitária que em Minas Gerias é controlada e gerenciada pelo IMA - Instituto Mineiro de Agropecuária. Ele é de inteira responsabilidade dos produtores e seu período é geralmente entre 20 de setembro à 20 de novembro. Apenas áreas de pesquisa e produção de sementes genéticas são desobrigadas a seguir o vazio saniutário.
- Neps
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Os neps são emaranhados de fibras que apresentam um nó ou núcleo central duro e detectável. Existe instrumentos e métodos para a detecção e medição dos neps. Eles são formados geralmente por tensões mecânicas aplicadas as fibras ao longo de toda a cadeia de processamento do algodão, que pode ir desde a colheita, o descaroçamento, a abertura e a limpeza na fiação.
A presença de neps pode ser determinante para a qualidade e valor de uma peça de vestuario. Eles prejudicam a qualidade do fio e acabam gerando tecidos com imperfeições. Os neps geram nos fios uma menor resistência, um maior índice de ruptura e uma menor uniformidade.
A existência de neps pode prejudicar o processo de tingimento e de estamparia de um tecido. Como os neps são geralmente compostos de fibras imaturas (micronair baixo), estes acabam por absorver corantes e refletir a luz de maneiras diferentes das fibras maduras, causando pontos ou manchas brancas nos tecidos acabados. Gerando perdas na qualidade dos tecidos.
- Algodão adensado
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Sistema de cultivo de algodão que utiliza um espaçamento menor entre as fileiras de plantas (0,45 a 0,50 metros entre as linhas, contra 0,76 a 0,90 metros do cultivo tradicional). Pode reduzir custos e aumentar a eficiência da lavoura. Mas pode apresentar sérios problemas como:
- Doenças
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Ataques de fungos e bactérias como:
- Ramulária
- Mancha-alvo
- Mancha angular
- Dificuldade de aplicação de defensivos
- Necessidade de irrigação e adubação na plantação